Diálogos mostra um intercâmbio de culturas aparentemente diferentes mas que sao irmãs entre si, o que se reflete na historia, na qual sem chegar a uma fusão e realizadas em seu mais puro estado , cada uma tem voz própria. Irmãs pelo passado comum que une o seu nascimento, irmãs pelo ritmo e o compasso, pela métrica e harmonia, irmãs pela sua origem: a de um povo que quer se expressar além das palavras, que pretende revelar ao mundo a sua identidade por cima do idioma, a política ou as fronteiras.
Interessado em demonstrar que é possível o entendimento entre os povos a traves de uma linguagem comum que nada tem a ver com o idioma, Segundo Falcon se atreve, com este espetáculo, Diálogos, no qual em parceria com a Orquestra Chekkara de Marrocos, a Banda Peruana de Pelo Madueño, com a voz inigualável de Sara Van e a colaboração de outros artistas convidados para cada ocasião, eles nos oferecem a chance de disfrutar um espetáculo único no seu gênero.
Hermano o Flamenco da Música Arábigo Andaluza, nao somente pela proximidade de seus berços, Andaluzia e Marrocos, mas pelas semelhanças encontradas pelos estudiosos no seu estilo como pode ser apreciado graças à participação da Orquesta Chekkara de Marrocos.
Unido através da historia às músicas do Perú, por tanta viagem de ida e de volta que nos deram a troca de peças fundamentais como a guitarra flamenca, a caixa peruana e porque não a arte de cada cultura.Provista também de outros estilos, próprios de sua terra, a Banda de Pelo Madueño fornece também a Diálogos de um ponto de modernidade pela fusão do rock latino, com o Jazz e o Pop.
Relacionado, em definitiva, de una forma ou de outra, a diferentes culturas do mundo, a diferentes formas de expressão, sentimento e paixão que em algum momento da historia tiveram um ponto comum e as quais tem sido oferecida a oportunidade de ir acrescentando-se ao espetáculo para que possamos ir apreciando e degustando a riqueza do encontro de "velhos conhecidos". Uns e outros, cada qual com o seu próprio estilo, com seus instrumentos, com sua própria linguagem, com sua própria voz, nos mostram como por trás de aparentes diferenças de estilo, Povos e Pessoas são capazes de achar o ponto comum, de manifestar, de sentir com uma arte tão universal como a música. Música como ponto de união, nascida de sentimentos de pessoas que contam, ao mundo e a si mesmos, que se manifestam, que levantam suas vozes para cantar à vida, à morte, ao amor, ao sentido das coisas. Que procuram gerar sentimentos, lutar contra a indiferença, levantar os ânimos, recordar, conhecer e em definitiva, expressar ao ser humano, comunicar ao espectador que é possível chegar ao entendimento dos povos, se traspassamos, se conseguimos conectar com o sentir mais profundo. E a música, como os Flamencos de sempre souberam, é por cima de todas as coisas, uma chamada, um toque de atenção à alma, ao espíritu daqueles que sentam-se a ouvi-la.
Diálogos é então uma arriscada amostra onde dividem espaço vozes próprias executadas através de uma impecável encenação, onde cada elemento tem sido cuidado como se fosse único, com interpretes de reconhecido prestigio não só em suas terras de origem com também em cenários intelectuais. A busqueda de semelhanças, a comparação de estilos, a preferência por uma ou por outra, o reconhecimento de alguma, a descoberta da outra, que já correspondem ao espectador. Este, ao contrario de ser um simples ouvinte, deverá se envolver com o espetáculo. Deverá deixar que seus sentidos se expandam livremente pela sala, apreciar os sons, novos para ele ou já mais que conhecidos, sentir o ritmo, deixar-se transportar aonde cada uma das musicas pretenda levá-lo. E, finalmente, quando as luzes se apagarem e o telão descer, estabelecer suas conclusões que serão próprias e particulares.
ELENCO DE ARTISTAS
VOZES
Segundo Falcón
Jallal Chekkara
Sara Van
ELENCO FLAMENCO
Canto: Segundo Falcón
Guitarra: Paco Jarana / Salvador Gutierrez
Percussão: Antonio Coronel
ORQUESTRA CHEKKARA
Voz e Violino: Jallal Chekkara
Voz e Laud:Youssef El Hosseieni
Violino: Fathi Ben Yakooub
Darbuka: hmed Ahnin
ARTISTAS PERUANOS
Voz e Percussão: Pelo Madueño
Voz: Sara Van
Piano:José Luís Madueño
ARTISTA CONVIDADO
Enrique Moratalla (Cantautor)
TOTO MENDEZ
(Uruguay)
SEGUNDO FALCÓN
Una das vozes protagonistas que nesta ocasião nos fala em Flamenco é Segundo Falcón, músico de reconhecida e precoce trajetória: Antonio Mairena o descobriu com tão só oito anos de idade e aos doze ano ganhou o premio da "Federación de Peñas de Sevilla", entre outros da "geografía andaluza", o que lhe serviu como credencial para dividir cartaz com primeiras figuras como Camarón, Terremoto, Fosforito etc. A experiência que acumulou e seu sentido do ritmo, o levaram a se destacar no “cante p’atrás”, acompanhando o baile de grande numero de artistas e sendo convocado por numerosas companhias de baile como a de Juana Amaya, Cristina Hoyos, Eva la Hierbabuena e Manuela Carrasco, a quem ele tem respaldado e acompanhado nas giras realizadas por diferentes lugares da Europa, Ásia e América. Nao é em vão, longe de ser esta a primeira experiência do artista, Segundo Falcon conta no seu currículo com produção de espetáculos como “CUS CUS FLAMENCO” junto com a Orquesta Chekkara, “MAHARAJA FLAMENCA” com a Orquestra Maharajá o “TIERRA DE NADIE” onde reúne ambas orquestras e com o qual obteve dois prêmios na XIII Bienal de Flamenco de Sevilha: Premio ao “Melhor Intérprete de Canto” e “Melhor Espetáculo de Outras Músicas” Segundo Falcón participou na cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos de Barcelona 92 entre outros importantes acontecimentos ao longo de sua carreira.
Como solista editou seu primeiro disco “Un Segundo de Cante” e obteve o Premio da Crítica Nacional de Flamenco ao “Melhor disco Cantor Revelacion 2002”. Nesta experiência, Segundo está acompanhado por um dos melhores percussionistas do pais, o reconhecido Antonio Coronel , e uma das melhores guitarras flamencas , Paco Jarana.
ANTONIO CORONEL
Antonio Coronel é reconhecido como um dos melhores percussionistas do país. Estudou piano e percussão nos conservatorios de Sevilha e Cadiz e uma vez completados seus estudos, começou a trabalhar com grupos locais tocando uma grande variedade de estilos (desde rock até música clássica passando pelo flamenco). É precisamente neste gênero onde permaneceu mais tempo, chegando a trabalhar com os interpretes mais importantes. Em 1995 foi para Los Angeles e se formou no Musicians Institute of Technology com honras, recebendo o reconhecimento de percussionistas da magnitude de Efrain Toro, Ralph Humphrey e Joe Porcaro, entre outros. Trabalhou para Manolo Sanlúcar, Diego Carrasco, Enrique Morente, Estrella Morente, Carmen Linares, Juan Carlos Romero, Israel Galvan, Segundo Falcón, Eva la Hierbabuena e um extenso etcetera.
PACO JARANA
(Uruguai)
Paco Jarana é um guitarrista consolidado que encaminhou sua carreira ao acompanhamento de canto e baile. Começou sua trajetória profissional junto com o bailador Maya com quem colaborou no disco "Amargo". A consolidação desse caminho o levou junto à sua companheira , a dançarina Eva la Yerbabuena, para cuja companhia costuma compor sua musica. Os espetáculos "Eva" ou "5 mulheres 5" levam sua assinatura. No plano do canto, além de realizar colaborações pontuais com artistas como Carmen Linares e uma longa nómina, é habitual de interpretes da ultima geração como Segundo Falcon.
ORQUESTRA CHEKKARA
A musica Andaluza vem da mão da Orquestra Chekkara, bons conhecedores do arte flamenco de nossa terra pela grande experiência que possuem. Basta assinalar, como amostra , que a primeira atuação da Orquestra com Jallal Chekkara como diretor foi no Festival Pirineos Sur, junto a Enrique Morente, com o espetáculo "Voces de al-Andalus" , representado também em otros festivais da Espanha , como o Strictly Mundial de Zaragoza ou a Bienal de Flamenco de Sevilha. Posteriormente, junto a Segundo Falcón, participaram em “Cus-cus Flamenco”, que passou por cenários nacionais e internacionais e, mais recentemente, em “Tierra de Nadie”, também com Segundo Falcón. Colaborou, também, com vários artistas flamencos como Tomatito, Pepe Habichuela, Cañizares, etc.
A PRESENÇA PERUANA
A banda peruana dirigida por Pelo Madueño conta com a voz desgarradora de Sara Van, os imcomparáveis acordes de José Luís Madueño no piano, e a particular percussão de Pelo Madueño na qual se inclui a caixa peruana, é precisamente essa caixa peruana o nexo de união entre os artistas e o flamenco. Foi na década de 70 quando a insondável mão de Paco de Lucía, maravilhado pelo som, profundidade e timbre de sua voz, o trouxe para introduzí-lo eternamente na alma da cultura e da musica flamencas de tal forma que hoje em dia ninguém concebe o flamenco sem o referido instrumento. Mas não é esta a unica razao, a inclusão destes artistas em Dialogos justifica-se depois de analizar os registros dos cantos de ida e volta como "la Guajira, la Vidalita, la Milonga ou la Colombiana", voltando desta forma a mostrar as primigenias claves e compasses da música que interpretam, que, da mesma forma que o flamenco, foram escritas com o sentir de uma raça sempre exaltada de emoção, sofrimento, melancolia e paixão.
JOSÉ LUIS MADUEÑO
A pesar de sua juventude ele já produziu quatros discos, a musicalizaçao de várias mini-séries, cursos e filmes e tem realizado arranjos para a Orquestra Filarmonica do Perú, Por duas vezes consecutivas foi ganhador do segundo lugar na convocatoria do premio SGAE Ibero-americano de Jazz Latino convocado pela Sociedade Geral de Autores e de Editores da Espanha e a Fundação Autor, participou também como intérprete e compositor na Conferencia Anual organizada pela IAJE (Internacional Association of Jazz Educators) realizada em Nova York. Em suas gravaçoes participou com músicos da importancia de Alex Acuña, John Patitucci e Steve Tavaglione e outros grande do Jazz internacional. José Luis Madueño é considerado hoje em dia como um dos jóvens valores do Jazz a nível mundial.
PELO MADUEÑO
Pode pressumir de ser um jovem artista multifacético (compositor, musico, actor, multi-instrumentista e produtor musical) respaldado por uma intensa e prolífica carreira. Formou parte e colaborou com as mais importantes bandas de rock "alternativo" de seu país, destacando sua participaçao como fundador da "Liga del Sueño" . Nao só Pedro Madueño é considerado uma das figuras mas sólidas e importantes do rock peruano, como também é um pesquisador nato cujo interesse pela música o levou a indagar nas raizes da música afro-peruana e sua fusão com o rock através de seu trabalho com Micky Gonzales. Seu interesse pela fusao e suas raíces, o levou a estudar a música tradicional de seu país e a colaborar com artistas de porte internacional tocando todos os generos musicais: baladas, música popular, bolero, som cubano e, em geral todo tipo de música latino-americana. Nesse caminho, tem colaborado com as principais figuras da música peruana desenvolvendo generos como o vals, a marinera, o tondero, etc.
Participou em Festivais de Música Popular e representou o Perú em grupos de Jazz e fusão a nível internacional. Produziu e realizou arranjos musicais para diversas companhias discograficas. Possui uma carreira paralela como ator que iniciou quando fundou, nos anos 90, o grupo Pataclaun e que no ano 2000 chegaria a Espanha, dividindo cenário com conhecidos artistas como Ketama, Orishas, Gilberto Gil, Buenavista Social Club, participou em diferentes festivais e editou “Ciudad naufragio”, seu primeiro disco como solista que conta com a colaboraçao de Joaquin Sabina. Atualmente continua desenvolvendo sua faceta de ator e de músico multi-instrumentista, graças à participaçao no reconhecido grupo de teatro Mayumaná com o qual encontra-se em atividade nestes momentos.
SARA VAN
Possui uma das vozes mais desgarradoras e inimitáveis do espectro musical atual. De ineludível inspiração na riqueza popular latino-americana - especialmente a peruana, com suas caracteristicas andinas, negras e criolos - Sara propoe combinar a elegancia da musica dos anos 20 e 30 com a potencia e psicodelia do rock clássico dos anos setenta. Iniciou-se nas ruas e em inúmeras bandas suburbanas desde sua adolescencia, constitui-se como intérprete de seus próprios temas aos dezenove anos e consolidou uma formação definitiva. E nesse momento no qual Sara resolve emprender a conquista como solista e desde outros aspectos, con a inestimável complicidade de Pelo Madueño, produtor e peça chave da engranagem, com quem começa um periplo pelas casas discográficas e os concertos em diversas partes do território nacional (teatros, festivais, etc ). Sara encontra-se agora prester a gravar seu primeiro disco solista, no qual imprimirá a música e a poesia que nos oferece essa voz singular.
ENRIQUE MORATALLA MOLINA
Formado em Psicologia pela Universidade de Granada incorpora-se ao movimento poético "Manifiesto del Sur" nos anos 70 compartilhando esse espaço criativo com Juan de Loxa, Carlos Cano e Antonio Mata entre outros. Neste periódo aproxima seu trabalho criador a poetas como Juan Ramón Jiménez, Federico García Lorca. Antonio Machado,Vicente Alexandre, Fernando Pessoa e Gil de Viedma. Realizou dois trabalhos discograficos: o primeiro "Corazon Transeúnte" do ano 2000 que contou com a participação do premio Nobel José Saramago e dos premios nacionais de música Josep Pons y Enrique Mórente, além da colaboraçao de Grahan Foster Group, Miguel Ochando, Aurora Beltrán (líder de Tahúres Zurdos) e a cantora sudanesa Rasha. O segundo, “Fabiola 11”, de 2004 contou com a colaboraçao do guitarrista de flamenco Tomatito e da bailaora Eva la Yerbabuena entre outros. No periódo 2004-2005 foi convocado para interpretar a única ópera escrita por Héctor Piazzolla “María de Buenos Aires”, espetáculo que foi apresentado conjuntamente com Liber Tango Camerana atuando nos circuitos e auditorios mais exigentes da música espanhola e que ficou gravado num projeto discográfico que nestes momentos encontra-se na última fase de produçao, estando previsto o seu lançamento no mercado em junho de 2006. Em 2005 foi convidado pela SGAE para apresentar seu último trabalho na sala Galileo dentro do ciclo da “Semana de Autor”.Durante o período 2004-2005 começou também sua colaboração com o espetáculo "Tierra de Nadie" dirigido por Segundo Falcón e que conta com a participaçao da orquestra Chekkara de Tetuan e os ciganos del Rajasthan.